Um dia era tudo cinza.
A pequena acreditou que poderia ser feliz,
mas era tudo ilusão.
vivia triste a meditar, não cantava mais,
seu consolo era chorar.

Procurou esquecer a dor, foi capaz.
Hoje o seu violão voltou a tocar
e a menina pôde enfim voar.
Amores de Ana
O mesmo assunto. Os mesmos vícios. Tudo era um ciclo que não acabava. Apenas repetia e repetia. Quando viu, lá estava ela apaixonada. O cara diferente, descolado, mas tão igual aos outros. Ana já estava acostumada, já mais ia tê-lo por completo. Pois ele já tinha dona. E tudo passava na cabeça de Ana, os mesmos sofrimentos, as mesmas dores, as mesmas esperas, e o contentamento com pouco. Mas Ana aprendeu cedo, que nessa história de amor, sempre haveria de ter apenas uns resquícios.

Ana conheceu João em um bar, foram apresentados por amigos em comum. Porém ela tão bêbada, pouco ligou para o apresentado. Mas João rapidamente a notou. Tentou puxar conversa, no entanto, muita gente falava ao mesmo tempo, e ela não prestava muita atenção. Porém João sabia como cantar uma garota, e logo começou a falar de sua banda, que por coincidência era a banda preferida dela. Ana, por mais legal que fosse, sempre teve um terrível problema, algo que acomete a maioria das mulheres. Sempre gostou de músicos, de pessoas que tinham bandas, particularmente os cabeludos, que se dizem roqueiros. E João era exatamente assim. De repente Ana passou a se interessar pela conversa. Estava realmente interessada, agora que prestara atenção nele. Notou que era um homem bonito, magro, cabelo comprido, barba, roupas jogadas, sandália - nada de tênis. E o melhor de tudo, a banda que ela gostava! Sim, eles tinham muito em comum.

Conversaram. Ela percebeu o interesse do rapaz, ficou feliz. “Agora sim eu esqueço o Luís” pensou. Luís era o rapaz de quem Ana fora amante por algum tempo, ele terminou tudo quando a namorada descobriu. Conversavam, paqueravam, e num determinado momento, os dois já muito bêbados, João resolve dizer a única coisa que Ana não queria ouvir. Ele tinha namorada, namorava há seis anos, e não tinha a menor intenção de terminar.

Ana sentiu-se mal, muito mal, talvez fosse a bebida ou o destino. Por que sempre era a outra? Por que nunca ninguém gostava realmente dela? Sempre a vida de Ana fora assim, só tinha relacionamento com homens comprometidos, de namoros longos, ou casados. Ela sempre se apaixonava, sempre sofria, sempre chorava e tinha depressões, mas eles, todos, só a queriam pra sexo. Unicamente pra isso. Talvez fosse pelo seu papo descolado, por que fumava, bebia e sempre era vista nos bares com amigos. É talvez fosse isso.

Mas, tentando conter a sua surpresa e seu mal estar, pensou que poderia se divertir. Sim, nada mais de sofrimento. Se o seu destino era só se envolver com homens que não podiam ser realmente dela, por que não apenas se divertir com eles?

E foi com esse pensamento que decidiu ficar com João. E lá ia o relacionamento, a espera, as mentiras, e o sexo. O sexo, e apenas. Um ano de relacionamento, e Ana não conseguiu cumprir com a sua decisão e se apaixonou. Dessa vez a paixão pior que tivera. João como os outros, enjoou dela, e sumiu. Só restava para Ana, guardar a dor de mais um amor perdido. As lembranças, o tempo que desperdiçou. Tudo em vão. Ana era fraca, mas mesmo assim, se recuperou, não na alma, que já estava ferida há tempos. Mas conseguiu erguer-se, e depois de um tempo voltou a sair. O cigarro, a bebida, a mesa de bar e os velhos amigos, tudo voltava a ser como antes. A espera do mesmo ciclo que apenas se repetia e repetia.
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